As pessoas são lindas de costas

Não conheci Carlos Moreira pessoalmente. Ele morreu em junho de 2020, e eu só chegaria ao seu arquivo no ano seguinte. Em setembro de 2026 Carlos faria noventa anos. Conhecê-lo, portanto, foi uma operação às avessas. Não pela pessoa, mas pelo vasto material acervado, pela caligrafia miúda nas jaquetas dos negativos, pelos desenhos delicados nas […]

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Esmeraldas não é Cohab porque tem elevador

Meus pais, aposentados, antes de se mudarem para deixar o apartamento livre para os filhos. Como a casa vivia cheia de gente, eles passavam a maior parte do tempo no quarto, lendo, assistindo a séries ou estudando idiomas variados por diversão – mas sempre juntos. Na construção do Esmeraldas, alguém achou que ter um “quarto […]

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Feitiço de esperança

Nascida em 1980 na ilha caribenha de Barbados, Alberta Whittle vive e trabalha em Glasgow, na Escócia. Sua prática multifacetada tem como cerne o desenvolvimento de uma resposta pessoal às heranças do tráfico negreiro transatlântico, desmascarando suas conexões com o racismo institucional, a supremacia branca e a emergência climática no presente. Frente a um contexto […]

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Mostrar ou não mostrar? Reenquadrar as representações violentas

Fazia meu desjejum em família num charmoso café da Vila Madalena, quando notei o texto escrito numa parede interna do salão: “esta é a história que o Coffee Lab não quer que esqueçamos. Aqui, nós trabalhamos para que este passado não continue sendo o destino”. Foi preciso levantar e me aproximar para conseguir ver as […]

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Estarmos nus

O encontro entre corpos é uma soma de reflexos. Na fotografia de Paul Sepuya, a natureza eminentemente reflexiva e refratária do encontro, e da própria fotografia, são disparadores de um trabalho de mais de duas décadas. O artista estadunidense Paul Sepuya (San Bernardino, 1982) se dedica a uma produção que escolhe a fotografia como linguagem […]

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Aparições da Cuca

Numa cidade de construções coloniais portuguesas, um ser caminha lentamente, vestindo uma espécie de capa que lhe cobre todo o corpo; é feita de fios pretos entrelaçados em crochê, uma cauda vermelha e alguns detalhes em amarelo-dourado. O céu é de um azul intenso, típico do Cerrado na estação seca; as construções públicas e religiosas […]

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Assustar a realidade

A obra do boliviano River Claure (Cochabamba, 1997) é uma arqueologia visual na qual coexistem camadas distintas de tempo, história, território, identidade, realidade e fantasia. Suas fotografias, vídeos e instalações convidam a desvendar essas categorias que o artista não só borra, mas também questiona como parte fundante de um sistema capitalista. Se utilizando da brincadeira […]

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Quartos

Para quem se formou nos anos 1980, o fim do regime militar que reprimiu o país durante duas décadas representou uma mudança de paisagem social com repercussões profundas sobre sua história íntima. Ser jovem naquela época significava mergulhar na liberdade de expressão e nos estímulos oferecidos pela indústria do entretenimento, primeiro mercado de trabalho a […]

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